Um debate que permitiu perceber quem tem um rumo e uma equipa para Lisboa
Do debate com sete dos doze candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, que a SIC Notícias organizou ontem à noite, no Museu de Electricidade, ficou pouco patente o projecto de cidade que a maioria dos candidatos tem Lisboa. Nalguns casos, foi possível perceber que não há projecto, apenas um conjunto de propostas pouco estruturadas e algumas sem sentido de exequibilidade.
Muitas das propostas apresentadas, em resposta às questões da jornalista, eram mais expostas por reacção do que por um princípio de pró-acção. Se há algo que Lisboa precisa não é de reacção, mas de planeamento e estratégia, de rigor.
Dos sete candidatos, o que mais apresentou um conjunto, pouco pensado, de propostas, quase todas elas avulsas, foi o do PPD. Propostas pouco pensadas e avulsas, porque tanto se lhe dava que se mantivesse o aeroporto da Portela e surgisse outro em Sintra ou em Alcochete (como se este assunto merecesse por parte de um candidato à presidência uma abordagem demasiado ligeira), como a concepção apresentada de uma Baixa Pombalina como Centro Comercial, onde se construiria parques automóveis, no sentido, disse o candidato, de chamar mais pessoas à Baixa.
À questão da jornalista, onde poderia o candidato do PPD construir os parques de estacionamento na Baixa, o candidato falou em construir silos. Porém, neste ponto, nada mais adiantou, porque, em abono da verdade, nada mais poderia dizer, tal o desfasamento da proposta, de mais parques de estacionamento (que atraem mais carros). Aliás, a proposta peca, desde logo, pelo erro de conceber a Baixa da cidade como um Centro Comercial. A Baixa tem uma função e uma condição muito mais abrangente do que a visão da Baixa Centro Comercial. Mesmo quem conhece pouco Lisboa, sabe que na Baixa há muito mais do que lojas. Há serviços, há Poder Central, há espaços Históricos e Culturais, restauração, e todos estes precisam de ser conjugados, pensados num todo em que se complementam, não se amontoam nem são simples somatórios. Ficou bem patente a fragilidade da candidatura do PPD, mais apostada em fazer desta eleição um momento de críticas ao Governo, do que em apresentar propostas para o futuro da cidade.
Quem também se ficou pela postura de criticar o Governo do país em vez de apresentar a sua visão da cidade foi o candidato do PCP. Em quase todas as intervenções, o candidato comunista mais parecia estar num debate de uma eleição legislativa do que autárquica.
Já o candidato do BE foi fiel a si mesmo e empregou o princípio que lhe é característico: contra e nada fazer. Pouco se espera, e pouco apresentou de propostas construtivas, excepto, claro está, as que há muito o seu apoiante, Gonçalo Ribeiro Telles, defende para Lisboa e que o candidato bloquista assume em nome do arquitecto paisagista.
Se do candidato do PPD pouco se viu de congruente, à direita, o outro candidato, do CDS, e o que corre mais riscos de não ser eleito, apresentou algumas propostas mais estruturas e algumas arrojadas, como a defesa da privatização do sector de recolha de resíduos, além de ter destacado uma tecla cara ao seu partido, a da Segurança (pôde-se escrutinar ao candidato do CDS algumas propostas de influência da política de Giulianni em Nova Iorque). No entanto, e para quem deu o exemplo do Governo de direita da capital espanhola, em termos de privatização do sector do lixo, o candidato do CDS devia ter em consideração a boa política do PP (espanhol) em Madrid, em termos de salas de injecção assistida. Foi um Governo, nacional e local, de direita, que assumiu o projecto das salas de injecção assistida em Espanha e com resultados francamente positivos, no combate e prevenção das toxicodependências. É pena que o CDS faça de uma intervenção fundamental, em termos de Saúde e Segurança Públicas, um assunto tabu.
Dos candidatos ditos independentes, duas visões: a do paraíso e a do caos. Um, o ex-alcaide, parece que ainda não percebeu porque há, neste momento, uma eleição intercalar em Lisboa. Foi a sua (des)governação e falta de liderança que conduziram Lisboa à situação em que está. Por outro lado, a leviandade com que fala da dívida da Câmara, superior a mil milhões de euros, e com a qual o antigo Presidente não se mostra muito preocupado, é admirável. Parece que dívidas e dívidas não o preocupam. A outra candidata dita independente, apresenta um conjunto de propostas avulsas. Curioso no seu comportamento, por não ter uma visão estratégica para a cidade, é o procurar disfarçar a sua falta de visão global com a proposta recorrentemente referida: juntamo-nos todos e, em reuniões, logo se vê o que escolhemos. Ora, Lisboa precisa de um projecto de futuro, que esteja traçado, que seja conhecido e possa ser cumprido, para que no final destes dois anos se saiba se foi cumprido ou não.
A estratégia e metas devem estar definidas à priori, e os lisboetas devem conhecer, para poder escolher qual o rumo que querem para a cidade. A candidata dita independente procura ser eleita para depois procurar traçar o seu rumo, mediante o soprar dos ventos. Ou seja, em vez de planeamento tem uma actuação de fazer tudo em cima do joelho. Este tipo de política já é conhecida de Lisboa e deu no resultado que deu nestes últimos anos. Falta de projecto, de estratégia, de rumo. A Câmara paralisou-se e paralisou a cidade.
Quanto ao candidato do PS, este teve tempo de apresentar um conjunto de propostas e medidas concretas, devidamente pensadas e estruturadas, e que quer implementar, tendo em conta o rumo que já apresentou aos lisboetas. Uma acção a curto, médio e longo prazo.
Penso que o momento chave do debate de duas horas, e que permitiu perceber quem tem um projecto e uma equipa para governar, foi a questão do urbanismo. A jornalista perguntou a vários candidatos quem iria tutelar a área e António Costa deixou claro que, além das propostas para a área que apresentou com total clareza, tem uma equipa, e, na área do urbanismo o responsável, caso o PS venha a merecer a confiança dos lisboetas, será Manuel Salgado. Não caindo na posição de alguns candidatos que parece tudo querer avocar a si, como se o Presidente da Câmara fosse o único capaz de inverter o declínio actual, sem precisar de mais ninguém. Pela lógica de alguns candidatos, eles ficariam com todos os pelouros, pois o descalabro nas mais diversas áreas é notório. Ora, um Presidente de Câmara nem pode avocar tudo a si, como precisa de um governo, com pessoas experientes e qualificadas. Lisboa precisa de um rumo e um conjunto de pessoas.
Neste sentido, o debate de ontem foi exemplar quanto ao que não se quer do futuro Executivo municipal, um espaço de puro entrave à execução de um programa.
À Câmara exige-se execução, à Assembleia fiscalização. Se elegermos uma Câmara para esta ser fiscalizadora se si própria, continuaremos a ter uma cidade parada.
O PS tem demonstrado que é a única candidatura com um projecto para a cidade e uma equipa para governar. Não é por acaso que o PS é o único que apresentou o programa e a equipa de governação, mais nenhuma candidatura o fez. E já estamos a poucos dias das eleições. É um sinal e distinção bem evidentes, da candidatura do PS em relação às demais.
Muitas das propostas apresentadas, em resposta às questões da jornalista, eram mais expostas por reacção do que por um princípio de pró-acção. Se há algo que Lisboa precisa não é de reacção, mas de planeamento e estratégia, de rigor.
Dos sete candidatos, o que mais apresentou um conjunto, pouco pensado, de propostas, quase todas elas avulsas, foi o do PPD. Propostas pouco pensadas e avulsas, porque tanto se lhe dava que se mantivesse o aeroporto da Portela e surgisse outro em Sintra ou em Alcochete (como se este assunto merecesse por parte de um candidato à presidência uma abordagem demasiado ligeira), como a concepção apresentada de uma Baixa Pombalina como Centro Comercial, onde se construiria parques automóveis, no sentido, disse o candidato, de chamar mais pessoas à Baixa.
À questão da jornalista, onde poderia o candidato do PPD construir os parques de estacionamento na Baixa, o candidato falou em construir silos. Porém, neste ponto, nada mais adiantou, porque, em abono da verdade, nada mais poderia dizer, tal o desfasamento da proposta, de mais parques de estacionamento (que atraem mais carros). Aliás, a proposta peca, desde logo, pelo erro de conceber a Baixa da cidade como um Centro Comercial. A Baixa tem uma função e uma condição muito mais abrangente do que a visão da Baixa Centro Comercial. Mesmo quem conhece pouco Lisboa, sabe que na Baixa há muito mais do que lojas. Há serviços, há Poder Central, há espaços Históricos e Culturais, restauração, e todos estes precisam de ser conjugados, pensados num todo em que se complementam, não se amontoam nem são simples somatórios. Ficou bem patente a fragilidade da candidatura do PPD, mais apostada em fazer desta eleição um momento de críticas ao Governo, do que em apresentar propostas para o futuro da cidade.
Quem também se ficou pela postura de criticar o Governo do país em vez de apresentar a sua visão da cidade foi o candidato do PCP. Em quase todas as intervenções, o candidato comunista mais parecia estar num debate de uma eleição legislativa do que autárquica.
Já o candidato do BE foi fiel a si mesmo e empregou o princípio que lhe é característico: contra e nada fazer. Pouco se espera, e pouco apresentou de propostas construtivas, excepto, claro está, as que há muito o seu apoiante, Gonçalo Ribeiro Telles, defende para Lisboa e que o candidato bloquista assume em nome do arquitecto paisagista.
Se do candidato do PPD pouco se viu de congruente, à direita, o outro candidato, do CDS, e o que corre mais riscos de não ser eleito, apresentou algumas propostas mais estruturas e algumas arrojadas, como a defesa da privatização do sector de recolha de resíduos, além de ter destacado uma tecla cara ao seu partido, a da Segurança (pôde-se escrutinar ao candidato do CDS algumas propostas de influência da política de Giulianni em Nova Iorque). No entanto, e para quem deu o exemplo do Governo de direita da capital espanhola, em termos de privatização do sector do lixo, o candidato do CDS devia ter em consideração a boa política do PP (espanhol) em Madrid, em termos de salas de injecção assistida. Foi um Governo, nacional e local, de direita, que assumiu o projecto das salas de injecção assistida em Espanha e com resultados francamente positivos, no combate e prevenção das toxicodependências. É pena que o CDS faça de uma intervenção fundamental, em termos de Saúde e Segurança Públicas, um assunto tabu.
Dos candidatos ditos independentes, duas visões: a do paraíso e a do caos. Um, o ex-alcaide, parece que ainda não percebeu porque há, neste momento, uma eleição intercalar em Lisboa. Foi a sua (des)governação e falta de liderança que conduziram Lisboa à situação em que está. Por outro lado, a leviandade com que fala da dívida da Câmara, superior a mil milhões de euros, e com a qual o antigo Presidente não se mostra muito preocupado, é admirável. Parece que dívidas e dívidas não o preocupam. A outra candidata dita independente, apresenta um conjunto de propostas avulsas. Curioso no seu comportamento, por não ter uma visão estratégica para a cidade, é o procurar disfarçar a sua falta de visão global com a proposta recorrentemente referida: juntamo-nos todos e, em reuniões, logo se vê o que escolhemos. Ora, Lisboa precisa de um projecto de futuro, que esteja traçado, que seja conhecido e possa ser cumprido, para que no final destes dois anos se saiba se foi cumprido ou não.
A estratégia e metas devem estar definidas à priori, e os lisboetas devem conhecer, para poder escolher qual o rumo que querem para a cidade. A candidata dita independente procura ser eleita para depois procurar traçar o seu rumo, mediante o soprar dos ventos. Ou seja, em vez de planeamento tem uma actuação de fazer tudo em cima do joelho. Este tipo de política já é conhecida de Lisboa e deu no resultado que deu nestes últimos anos. Falta de projecto, de estratégia, de rumo. A Câmara paralisou-se e paralisou a cidade.
Quanto ao candidato do PS, este teve tempo de apresentar um conjunto de propostas e medidas concretas, devidamente pensadas e estruturadas, e que quer implementar, tendo em conta o rumo que já apresentou aos lisboetas. Uma acção a curto, médio e longo prazo.
Penso que o momento chave do debate de duas horas, e que permitiu perceber quem tem um projecto e uma equipa para governar, foi a questão do urbanismo. A jornalista perguntou a vários candidatos quem iria tutelar a área e António Costa deixou claro que, além das propostas para a área que apresentou com total clareza, tem uma equipa, e, na área do urbanismo o responsável, caso o PS venha a merecer a confiança dos lisboetas, será Manuel Salgado. Não caindo na posição de alguns candidatos que parece tudo querer avocar a si, como se o Presidente da Câmara fosse o único capaz de inverter o declínio actual, sem precisar de mais ninguém. Pela lógica de alguns candidatos, eles ficariam com todos os pelouros, pois o descalabro nas mais diversas áreas é notório. Ora, um Presidente de Câmara nem pode avocar tudo a si, como precisa de um governo, com pessoas experientes e qualificadas. Lisboa precisa de um rumo e um conjunto de pessoas.
Neste sentido, o debate de ontem foi exemplar quanto ao que não se quer do futuro Executivo municipal, um espaço de puro entrave à execução de um programa.
À Câmara exige-se execução, à Assembleia fiscalização. Se elegermos uma Câmara para esta ser fiscalizadora se si própria, continuaremos a ter uma cidade parada.
O PS tem demonstrado que é a única candidatura com um projecto para a cidade e uma equipa para governar. Não é por acaso que o PS é o único que apresentou o programa e a equipa de governação, mais nenhuma candidatura o fez. E já estamos a poucos dias das eleições. É um sinal e distinção bem evidentes, da candidatura do PS em relação às demais.
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