Lisboa, Cidade do Bem-estar e da Qualidade de Vida.
A cidade de Lisboa possui condições ideais para se tornar um exemplo de qualidade de vida. Desde um clima ameno à sua ímpar localização entre o rio Tejo e o Oceano Atlântico, passando pelas sete colinas, existem excelentes razões para aproveitar ao máximo um potencial ainda pouco explorado. Mas qualquer lisboeta sabe que, apesar de existirem boas condições de base, muito está ainda por fazer. A título de exemplo, veja-se que continua a existir uma escassez de espaços verdes na cidade, que os tempos de entrada e saída de Lisboa são ainda insatisfatórios não só em horas de ponta e que a rede de transportes não é tão eficaz e completa como desejável.
Uma das prioridades de Lisboa deve ser a batalha pela melhoria das condições de vida e de trabalho na cidade.
Em primeiro lugar, devem ser desenvolvidas as necessárias estruturas materiais para que o cidadão se possa deslocar rapidamente e com conforto de casa para o emprego, e daqui para qualquer espaço de lazer na cidade. Mas também deve existir uma aposta criativa cada vez maior no aproveitamento destes espaços de lazer, reforçando a valorização de áreas degradadas e desaproveitadas junto ao rio, nas zonas históricas de Lisboa e noutras em que se justifique.
Neste sentido, devem procurar adoptar-se um conjunto de medidas em matéria de acesso à cidade, transportes e valorização de espaços públicos e do ambiente na cidade, como, por exemplo:
A) Criar, em conjunto com a Área Metropolitana de Lisboa, grandes parques de estacionamento gratuitos nos pontos de acesso a transportes públicos que se dirijam para a cidade de Lisboa, podendo adoptar-se um mecanismo de parcerias público-privadas para o efeito;
B) Rejeitar a concessão de auto-estradas de acesso à cidade a entidades privadas que, naturalmente, têm interesse em manter um fluxo de circulação automóvel nessas vias, o que torna mais difícil a concretização de determinadas políticas públicas como a introdução de corredores bus ou car pool nessas vias;
C) Ponderar a atribuição da gestão das empresas públicas de transportes à Área Metropolitana de Lisboa, por forma a que seja valorizada a componente de gestão integrada das redes de transportes, melhorando as ligações e tornando os respectivos tempos de utilização o mais curtos possível;
D) Tornar a utilização dos transportes colectivos mais agradável, criando uma cultura de exigência quanto aos mesmos. Os tempos de espera devem ser reduzidos, o número de passageiros transportados sentados deve ser aumentado;
E) Alargar decisivamente a rede de metro aos restantes pontos centrais dos concelhos da área metropolitana;
F) Valorizar a Estação Oriente como estação ferroviária principal, eliminando progressivamente a utilização de Santa Apolónia, permitindo a melhor utilização de novos espaços na cidade;
G) Ponderar o encerramento ao trânsito da Cidade Universitária, criando condições para uma estrutura de campus universitário e uma verdadeira “CIDADE UNIVERSITÁRIA”, com equipamentos adequados, que permita a existência de um novo espaço verde utilizável por cidadãos e estudantes no centro da cidade. A esta medida deve associar-se a criação de um conjunto de incentivos à investigação em Lisboa, nessa cidade universitária, por forma a que esta se assuma como grande centro de I&D, podendo ainda, constituir um centro de investigação e busca de soluções para os problemas da cidade;
H) Criação de novos espaços verdes de lazer, evitando a sistemática construção em todos os espaços não construídos. A Câmara Municipal de Lisboa deve desencadear procedimentos expropriatórios em relação a terrenos não edificados para este efeito;
I) Aproveitamento do espaço da feira popular para criação de um grande espaço verde no centro da cidade, transferindo-a para um local fora da cidade e de fácil acesso;
J) Combater o ruído na cidade, adoptando e lutando por medidas que permitam a sua redução efectiva. Neste sentido, deve ser fortemente incentivada a utilização de veículos eléctricos pelas empresas de transportes colectivos e pelos cidadãos;
K) Tornar a recolha de lixos e a limpeza das ruas de Lisboa exemplar e valorizar a recolha selectiva de resíduos. Este aspecto pode ser melhorado, criando condições para uma recolha selectiva logo em casa, através da adopção de caixotes de lixo em trevo para a Cidade de Lisboa, que permitam a recolha diferenciada e reciclagem dos resíduos sólidos urbanos no próprio domicílio do cidadão.
Mas a qualidades de vida exige ainda a adopção de medidas a outros níveis.
Muitos têm falado de habitação na cidade no sentido da criação de um verdadeiro mercado de arrendamento, de uma forte aposta na promoção da aquisição de casas por jovens no centro da cidade e do exagerado preço dos imóveis em Lisboa.
A verdade é que não tem havido melhorias assinaláveis. Mais, se nada for feito, a situação tem tendência a degradar-se.A situação é ainda particularmente gravosa quanto à Câmara Municipal de Lisboa, uma vez que boa parte da última campanha eleitoral para as últimas autárquicas se centrou neste ponto, afirmando a necessidade de promover a habitação para jovens no centro da cidade. O acesso ao crédito jovem para a habitação foi inexplicavelmente dificultado e a construção de imóveis para jovens a preços acessíveis sofreu retrocessos inadmissíveis.
Temos que nos bater pela valorização da habitação no centro da cidade e pelo desenvolvimento do mercado de arrendamento, criando medidas que, indirectamente, imponham a realização de obras e posterior arrendamento de edifícios não utilizados.
Inês Drummond
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